O recente movimento do Santander Brasil no crédito imobiliário deve ser interpretado sob uma ótica técnica e estratégica, especialmente por profissionais que atuam diretamente na estruturação e intermediação de negócios. Ao elevar o limite de financiamento para até 90% do valor do imóvel residencial, na modalidade Sistema de Amortização Constante, o banco altera de forma relevante a dinâmica de acesso ao crédito no país. Essa mudança, que anteriormente limitava o financiamento a 80%, impacta diretamente a principal dor do comprador brasileiro: a formação de entrada.
Com isso, o capital inicial mínimo exigido passa de 20% para 10%, reposicionando o perfil de elegibilidade de uma grande massa de clientes que antes ficava à margem do financiamento tradicional.
Redução da entrada: mais acesso, mais velocidade de decisão
Vejo que a diminuição do aporte inicial não apenas amplia o acesso, mas acelera o ciclo de decisão do comprador, reduzindo o tempo entre intenção e fechamento. Na prática, isso aumenta a conversão de leads qualificados e reduz a fricção comercial nas negociações. Para o mercado, significa maior liquidez e giro, especialmente em regiões com demanda reprimida. Sob o ponto de vista estrutural, o modelo SAC mantém sua característica de amortização mais agressiva desde o início do contrato, com parcelas decrescentes ao longo do tempo. Embora as primeiras prestações sejam mais elevadas, há uma redução consistente do saldo devedor, o que, tecnicamente, representa menor risco de longo prazo para o agente financeiro e maior previsibilidade para o cliente. Os prazos podem chegar a até 420 meses (35 anos), permitindo um enquadramento mais flexível dentro da capacidade de pagamento do mutuário. A taxa de juros, partindo de 7,99% ao ano acrescida da TR, posiciona o produto de forma competitiva, exigindo, no entanto, leitura atenta do cenário econômico e da possível oscilação da taxa referencial. As condições são válidas para imóveis a partir de R$ 90 mil, o que amplia significativamente o alcance da política de crédito. Outro ponto de destaque que analisei é a possibilidade de composição de renda com terceiros, inclusive sem vínculo familiar, o que amplia o potencial de aprovação e viabiliza estruturas de aquisição mais inteligentes e estratégicas. A utilização do FGTS como instrumento complementar reforça a engenharia financeira da operação, reduzindo ainda mais o desembolso direto do comprador.
Análise de crédito personalizada: filtro estratégico
Apesar da flexibilização nas condições de entrada, o processo de aprovação segue rigorosamente atrelado a uma análise de crédito individualizada. Isso significa que fatores como score, comprometimento de renda, estabilidade financeira e histórico bancário continuam sendo determinantes. Na prática, o banco amplia o acesso, mas mantém controle técnico sobre o risco, garantindo sustentabilidade da carteira de crédito. Para nós profissionais experientes, ter uma compreensão sobre esse filtro se torna essencial para qualificar corretamente o cliente antes mesmo da simulação formal. A possibilidade de simulação diretamente no ambiente digital do Santander Brasil agrega transparência, agilidade e inteligência ao processo decisório, permitindo que o cliente visualize cenários e tome decisões mais conscientes.
Visão estratégica: o que o corretor e o investidor precisam entender
Esse movimento não é pontual — ele sinaliza uma tendência clara de flexibilização do crédito como mecanismo de estímulo ao mercado imobiliário. Para nós, profissionais do ramo, abre-se uma janela de oportunidades para reativar clientes que anteriormente não avançavam por limitação de entrada. Para o investidor, cria-se um ambiente mais favorável à alavancagem financeira e aquisição de ativos com menor capital próprio. O profissional que domina essas variáveis deixa de ser apenas um intermediador e passa a atuar como um verdadeiro consultor estratégico. Mais do que vender imóveis, passa a estruturar soluções. E no mercado atual, quem estrutura melhor, fecha mais — com mais margem, mais velocidade e mais consistência.
Fonte: Renato B. Conti - Corretor de Imóveis CRECI/RJ 93705 - Delegado do CRECI/RJ - Zona Norte/Irajá e Adjacências, Membro CEFISP, Membro da Comissão Especial de Leilões da OAB/RJ-Méier e Psicanalista